Correndo a favor do tempo!

Andamos apressados, sobrecarregados de responsabilidades, corremos contra o tempo e reclamamos da falta dele quase que o tempo inteiro. “Trabalho muito, não tenho tempo para o exercício”. “Queria fazer um curso, mas não dá tempo”. “Queria visitar mais minha família, mas não dá tempo”. “Queria me alimentar melhor, mas não tenho tempo para isso”. Frases como essa permeiam nossa rotina e nossas conversas de forma tão natural que não paramos para pensar na melhor maneira de organizar nosso tempo e viver de forma mais plena.

E sabe o que acontece quando por algum motivo maior você se depara com mais tempo livre? Você percebe que não falta tempo, falta disciplina. Disciplina para organizar a rotina de uma forma que a gente consiga otimizar nosso tempo e realizar as atividades que desejamos, ainda que o trabalho na maioria das vezes ocupe a maior quantidade de horas do dia.

Não ter tempo deixa de ser uma realidade quando você tem disciplina. Ter o tempo e não ter disciplina não tira você do lugar e ainda te faz ter a sensação de inutilidade ou baixo desempenho.

E como ter disciplina? Talvez não existe uma fórmula precisa, é muito pessoal, cada um encontra um método que seja efetivo, mas podemos atentar para alguns pontos comuns:

  1. Diga NÃO a PROCRASTINAÇÃO, ela pode ser a grande vilã da sua rotina.
  2. Faça uma LISTA DE TAREFAS que precisam ser executadas dentro daquele dia ou semana. Elencar PRIORIDADES é importante.
  3. Divida seu dia em BLOCOS DE TEMPO e enquadre as tarefas listadas dentro desses blocos.
  4. Reduza as distrações. Facebook, insta, entre outros, são grandes LADRÕES DE ATENÇÃO e muitas vezes comprometem nosso desempenho.
  5. ESTABELEÇA ALGUNS LIMITES. Eles nos ajudam a criar regras pessoais que não são limitadoras, mas sim facilitadoras.
  6. COMECE AGORA e procure manter o hábito da organização pelo prazo mínimo de 3 semanas para que a organização seja enraizada na sua rotina.

Parece bobeira falar sobre isso, mas é unânime a sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido, se não prestarmos atenção nesses pontos, a vida simplesmente passa por nós, sem que a gente passe por ela de maneira efetiva, representativa, significativa, além de comprometer a realização dos nossos sonhos e nossa evolução pessoal e profissional.

Não sei quantas almas tenho!

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Depois que o emprego vai, o que fica?

Era quarta-feira, o céu padrão Curitiba, cinza. O caminho foi o mesmo dos últimos três anos e seis meses, repito, três anos e seis meses, mas diferente dos outrosdesempregado dias fui reparando nos detalhes do caminho, detalhes estes que pela rotina já passavam despercebidos.

Registrar o ponto, sentar e esperar. O coração não erra. Telefone toca. Na primeira vez não era eu. Na segunda eu não tinha dúvida. A empresa não precisa mais de você. Agradecemos, mas você está des-li-ga-da. Blá blá blá. Três discursos no mesmo dia. Três pessoas devolvidas para o mercado em meia hora.

Nó na garganta. Olhos marejados. Desligada. Desligada. Desligada. Conta. Crise do país. IPVA. Seguro do carro. Sonho da casa própria. Ca-ce-ta, que merda. Respirar fundo. Guardar os pertences pessoais, despedir com sinceridade dos amigos, despedir socialmente dos demais. Partir.

Passados dois dias e um turbilhão de reflexões, a razão já me permite materializar alguns dos inúmeros aprendizados. Partilhá-los talvez não sirva pra nada, mas talvez clareie as ideias de inúmeras pessoas que assim como eu, hoje,  fazem parte do clã dos desempregados.

  • Alguns clichês precisam ser levados a sério: não viva para trabalhar, trabalhe para viver. Parece pouco, mas isso quer dizer muito, seu salário não tem valor nenhum se não for usado para te proporcionar qualidade de vida. Vestir a camisa da empresa é importante, mas lembre-se ela jamais vestirá a sua, por mais que as vezes dê a impressão que sim. Não seja um workaholic. Sua vida pessoal deve ocupar o 1º lugar sempre.
  • A vida é cíclica: todo ciclo tem começo, meio e fim. Sabendo da finitude deles, o caminho talvez seja não se apegar tanto aos projetos, mas sim nas relações que estão por trás deles. Afinal, são elas que colocam cores e sabores nas coisas. Ainda que sejam elas que geram os maiores desafios também. Diante disso, encare as dificuldades do dia a dia com suavidade, elas passam e assim como as coisas boas, elas também nos ensinam. Diálogo é sempre fundamental.
  • Sobre pessoas, é preciso cuidado:

Tem muita gente massa, daquelas que você acolhe com o coração, que suavizam o fardo, que te fazem pensar, crescer, que fazem a coisa toda valer a pena, que te fazem acreditar. Essas a gente tem mais é que abraçar mesmo.

Só que também tem aquelas que fazem o contrário disso, tipo ambição a qualquer preço e as vezes são até promovidas. Seja político com elas, mas não ingênuo. Elas jogam, você não, por isso, as vezes elas ganham e você perde, sem nem saber que estava jogando. Essas a gente tem que simplesmente deixar para lá.

  • Devemos estar atentos as oportunidades e benefícios da empresa e aproveitá-los ao máximo, afinal, além das pessoas boas que você conheceu, os cursos e aprendizados desenvolvidos fazem toda diferença, durante e depois.
  • Favoritismos são reais, por isso, a “justiça” nem sempre se faz presente. As vezes o que vale não é o que é de fato, mas sim o que parece ser (triste né). A gente precisa aceitar isso, mas ser fiel e honesto aquilo que a gente é sempre. Se as pessoas não se corrompessem com facilidade não teríamos metade dos problemas atuais.
  • Toda experiência é válida e imperfeita. Trabalhar ensina a gente a ter visão apreciativa. Ensina resiliência. Ensina a pensar mais do que falar. Ensina a falar menos e ouvir mais. Nos torna mais responsáveis, comprometidos e amplia nossa visão de mundo de uma maneira que sempre, sempre saímos melhores e maiores do que entramos.

E afinal, depois que o emprego vai, o que fica? Fica você, você e seu autoconhecimento mais bem desenvolvidos para buscar outra oportunidade, ainda que o mercado não esteja favorável.

Todo ser humano é digno de um banho!

Da série: “Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar…”

Olho as ruas, as vielas, os barracos das pessoas, na minha mente uma janela se abre, enquanto a realidade não mente, mas cadê a tal dignidade da gente?

Quebrada toda minha realidade iludida, a mão na minha miséria eu ponho a cada realidade invisível que me é mostrada.

Ilusões cortadas, fé abalada a cada fiapo de dignidade ignorado. Onde que foi parar a ambição do ser humano?

Todo ser humano é digno de um banho.

Cruzo meus olhos com ele,

Será que ele merece tudo que vem pela frente?

Todo ser humano é digno de um banho.

Cruzo meus olhos com ela,

E outra janela se abre na mente ao pensar que todo ser humano deveria ser digno “merecidamente”.

Troco as ruas e as vielas, uma estrutura montada para cobrir a massa que corre o risco de morrer de fome, é a cidade capitalizada nas custas de uma mão de obra barateada.

Todo ser humano é digno de um banho.

No meu lugar de privilégio me questiono, por que só eu sou digno desse banho, se no lugar que eu lavo a alma não se lava o corpo?

Todo ser humano é digno de um banho.

Me olho no espelho e penso: você vai ser capaz de mudar o senso?

A responsabilidade é só uma questão de bom senso, afinal, se o cara que não tem nada de casa e de grana te ensina tanto,

A lógica que estão vendendo por aí é um mero engano.

Todo ser humano é digno de um banho.

A luz da verdade está na contramão dessa sociedade, prestar atenção nisso, só te faz menos covarde.

Enquanto a minha vaidade prevalecer a humanidade nem todo ser humano será digno de um banho.

Foto: Michele Bravos

Foto: Michele Bravos

Ontem eu andei na chuva!

14707883_1206911766047076_3877535627326639945_oNão está nada fácil sobreviver no caos desse mundo!

As pessoas caminham cheias de si, professam discursos bonitos na tentativa de transmitir certezas, seguranças e felicidade, mas no fundo estão completamente perdidas, perdidas afetivamente, politicamente, intelectualmente, profissionalmente, tecnologicamente.

Imersos num universo líquido, mas carregado de informações, sobra angústias, falta ar, sobra conflitos, falta paz. Discursos utópicos alimentam falsas esperanças. A leveza é cada vez mais superficial. A escuta cada vez mais mecânica. Os conselhos cada vez mais narcisistas. O ombro pesa, a garganta inflama, a coluna trava, o câncer brota como uma flor, a depressão derruba, o choro sai, o coração desmancha.

Preocupados em manter uma boa aparência, engolimos nossas angústias, ignoramos nossas dificuldades, poupamos o outro de saber nossas limitações com medo de parecer frágil ou de passar vergonha. Como diz Criolo, a ganância vibra, a vaidade excita. Poupamos tantas palavras que o silêncio não é mais carregado de consentimento pelos sentimentos, o silêncio é vazio, ensurdecedor.

O simples é invisível aos olhos e desvalorizado pelos outros. Para valer tem que ser magnânimo, extraordinário, substancial. Por medo de mostrar a nossa verdadeira face, não percebemos que criamos nossos esconderijos no mesmo barco, ignoramos o fato de navegar no mesmo mar. Nos apegamos em âncoras enferrujadas.

Nosso barco está afundando sem ninguém perceber, pois criamos uma redoma que ao invés de nos proteger, está nos sufocando. Na tentativa de nos salvarmos, corremos o risco de não aprender a nadar juntos, mas de ver um a um morrer afogado.

Não está nada fácil sobreviver nesse mundo e sabe quando isso ficou ainda mais evidente? Quando andei despreocupada sentindo a chuva cair sobre o meu rosto, enquanto as pessoas fugiam do tempo ruim.

A solução talvez seja olhar, olhar, perceber e sentir o outro!

A experiência do encontro: não importa quem sumiu e sim quem somou!

_d30308Cada pessoa é um mistério e é no mistério de cada pessoa que se revela a grandeza e a beleza de viver a experiência do encontro, muitas vezes é ela que dá sentido à vida. A dificuldade de hoje talvez seja viver essa experiência com profundidade, sensibilidade e verdade. O caos em que estamos vivendo, muitas vezes faz com que a gente chegue apressado, afobado e sem tato nesse encontro com o outro e com isso, como diz Bauman, vivemos tempos líquidos, vagos, superficiais.

E aí abro um parêntese. Você já visitou algum Museu? Museu, como todo mundo sabe, é o lugar onde se preserva obras e feitos significativos, valiosos, preciosos. Quando vamos visitar um espaço desse, normalmente seguimos uma série de regras de visitação. Os horários de visita são bem definidos, os objetos pessoais devem ser guardados, não é permitido correr ou gritar em qualquer área, não é permitido tocar nas obras em exposição, em alguns, nem mesmo podemos entrar com os nossos sapatos, entre outras inúmeras particularidades. A curiosidade disso tudo é que ao sair de lá, nós saímos transformados, mas tudo naquele espaço continua intacto.

Ao encontrar alguém, o segredo do sucesso, talvez seja exatamente esse. Usar as mesmas regras de visitação, afinal, dentro de cada um existe obras-primas tão particulares que além de respeitadas, devem ser preservadas. Devemos acessar o outro com cuidado para que nossa visita não seja motivo de destruição. Limpe os sapatos e sua mente, sujeira e julgamento não agradam ninguém. O olhar precisa ser fraterno para que você reconheça os espaços que podem ser tocados ou não. Respeite os horários de visitação e saiba a hora de chegar ou de sair. Aprecie e admire sem moderação a riqueza que ali se encontra, mas lembre-se das limitações dessa visita.

Se permitido for, fique o tempo que desejar, transforme-se ao tocar o outro. Aprenda, mas também ensine. Construa novas obras, separado ou junto. Compartilhe as inúmeras histórias que ali existem, dê risada e chore com cada uma delas. Estabeleça conexão com as pessoas que passaram e passam por ali, elas ajudam a garantir a profundidade do seu conhecimento com relação aquela pessoa. Ame e compreenda com sinceridade as falhas do percurso, os defeitos moldados com o tempo. Entregue-se. Renove-se. Repense, reveja, refaça. Faça amor fora de hora e se precisar até fora da cama. Misture-se, seja dois em um, mas no instante seguinte lembre-se que é um.

Se um dia desejar sair, saia com cuidado. Assim como no museu, existem regras para entrar, mas não para sair e diferente de lá, quando se trata de alguém, você sai transformado e o outro também. O local nem sempre fica intacto e nesse caso não é interessante que fique mesmo, as vezes colocar tudo no lugar exige paciência e respeito pela dor. Organizar a bagunça nos faz sangrar, se isso acontecer, lembre-se do cuidado e do amor com que a visita tratou todas as suas preciosidades nos dias que por ali ficou.

Podemos fechar as portas temporariamente para manutenção, mas é preciso lembrar que a beleza da vida consiste em expor nossas preciosidades na certeza de que essa troca com o outro é combustível de vida, é o que nos faz maior e melhor a cada dia.

Permita-se viver a experiência do encontro em sua essência todas as vezes que o olhar de alguém sorrir para o seu e ao receber novas visitas, mostre tudo que existe de bom aí dentro, sem medo, afinal, não importa quem sumiu e por quanto tempo ficou e sim quem somou!

Humanizar em tempos de coisificação!

downloadO capitalismo que vivemos hoje por mais “necessário” que seja para a economia e desenvolvimento do mundo, entrou em um ritmo desenfreado que tem gerado prejuízos imensuráveis para a nossa sociedade. Prioriza-se valores financeiros e esquece-se de valores humanos. A ênfase está muito mais em “ter” do que “ser”.

A competitividade, o individualismo e a busca incessante pelo “ter” parece ter enforcado o sentido do humano que existe dentro de cada um, com isso, os laços afetivos e a preocupação com o próximo se tornam cada vez mais superficiais, desde a nossa infância até a nossa vida adulta.

A criança nasce, cresce e se desenvolve em um cenário de carência afetiva. Chega na idade escolar e se depara com um sistema de ensino que na maioria das vezes, continua reproduzindo, ainda mais, a competitividade e o individualismo, priorizando conteúdos curriculares desvinculados dos aspectos humanos, afetivos e formativos.

Ao ingressar no ensino superior a “qualidade do ensino” será garantida quanto maior for a condensação de conteúdos e quanto mais disciplinas forem comtempladas na grade curricular. Grade essa que limita os demais saberes referentes a vida e ao relacionamento humano, novamente criando uma cultura de conformismo social. Óbvio que todo processo educativo deve ser levado com competência técnico-cientifica e rigorosidade metódica, mas sem banir a humanização das práticas.

Nesse cenário, qual o espaço dos processos de humanização? O que se pode fazer para mudar? Qual é o verdadeiro papel da educação? E acima de tudo, qual é o nosso papel dentro da sociedade? Precisamos parar para pensar nessas questões e mais do que planejar transformações, agir em prol delas. Como? Através da valorização da multidimensionalidade do ser, da vivência do ser humano, do convívio com diferentes realidades, da prática da solidariedade e do amor. É preciso desacomodar-se e ir à luta.

A construção de uma cultura humanizada deve ser coletiva e consciente. A esperança se renova quando a gente tropeça com gente que carrega esse mesmo propósito dentro do peito e tem sim muita gente boa por aí, só precisamos criar a rede para que as práticas de humanização sejam efetivas e perenes.

Humanizar em tempos de coisificação é um ato de coragem, é nadar contra a maré na certeza de que um dia os ventos passarão a soprar a favor do bem comum.

“A solução realmente mais fácil para encarar os obstáculos, o desrespeito do poder público, o arbítrio da autoridade antidemocrática é a acomodação fatalista em que muitos de nós se instalam. “Que posso fazer, se é sempre assim? […] Pois que assim seja”. Esta é na verdade a posição mais cômoda, mas também a posição de quem se demite da luta, da história. É a posição de quem renuncia ao conflito, sem o qual negamos a dignidade da vida. Não há vida, nem humana existência, sem briga e sem conflito. ” Paulo Freire

O dia que assumi minha liberdade!

1Liberdade quando eu tinha 7 anos era poder caminhar até a escola que ficava na mesma rua da minha casa, sozinha. Aos 10 era ficar sozinha em casa. Aos 15 sair e poder voltar as duas da manhã. Aos 18 entrar na balada com meu próprio documento. Aos 19 dirigir e viajar com os amigos sem autorização prévia, só avisando meus pais. Aos 22 ter minha própria grana. Hoje, aos 25 e meio, liberdade é assumir as consequências das minhas escolhas com responsabilidade e comprometimento. Ser livre nunca foi tão difícil.

A palavra liberdade sempre me atraiu, sempre me instigou, mesmo quando eu não entendia o seu conceito e o seu tamanho. Tem gente que diz que é coisa do meu signo, prefiro acreditar que é coisa da minha identidade vinculada ao meu propósito de vida. É difícil encontrar alguém que não goste de ser livre, mas nem todo mundo assume a liberdade como um compromisso.

Ser livre exige responsabilidade e amadurecimento. É um processo. Ninguém nasce sabendo ser livre, as nossas experiências vão nos ensinando o peso da liberdade, até que se crie consciência e ela vire de fato uma escolha. Eu escolhi ser livre, mas isso me fez refém de uma série de responsabilidades. Ao dizer sim a liberdade, automaticamente disse não para o comodismo, para a ignorância, para a zona de conforto, para o egoísmo, para a preguiça.

Não disse sim só a liberdade, disse sim também para uma jornada de trabalho de mais de 10 horas por dia. Disse sim ao conhecimento e a busca constante dele. Disse sim ao pagamento em dia de todas as contas através do meu próprio esforço. Disse sim ao compromisso com o próximo. Disse sim ao não, no sentido de que precisei aprender a engolir vários deles. Disse sim para noites de sono mal dormidas. Disse sim a uma mente totalmente inquieta. Disse sim para o cansaço das pernas em prol da gratidão e satisfação do coração. Disse sim aos riscos e as incertezas.

As vezes vinculamos a nossa liberdade a uma condição que o outro pode nos proporcionar ou não, sem nos darmos conta de que nós mesmo nos privamos dela pela facilidade de viver sem correr riscos, numa gaiola mental. O dia que assumi minha liberdade eu descobri belezas impressionantes nas incertezas do meu caminho.

“Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposta. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos voos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…”

Sinta o frio, mas aqueça o coração e faça sua doação!

13101301_1183138605037950_346454517_n“O frio de Curitiba é de doer”, você certamente já ouviu isso por aí, estou mentindo? E se você que dorme com 3, 4 cobertores, com um pijama quentinho e uma barriga saciada já sofre, imagine o que não passam as inúmeras pessoas que fazem da rua o seu próprio lar?

Nós no conforto de nossas casas, não fazemos a menor ideia da quantidade de pessoas que vivem realidades invisíveis e invisíveis por total descuido e egoísmo da nossa parte, mas a boa notícia é que nem todo mundo deixa essa galera passar em branco, existe em Curitiba, um grupo de amigos, conhecidos como Voluntários da Sopa Veg que se uniram para dar visibilidade, sopa e coberta para uma galera que passa despercebida pela grande maioria da sociedade.

Essa galera sentiu o frio, mas aqueceu o coração e decidiram unir a ideia do veganismo com a solidariedade provando que é possível ajudar as pessoas sem gerar sofrimento aos animais e desde o inverno passado produzem cerca de 180 refeições, todas as quartas-feiras, que são entregues em carreata itinerante pelo centro da cidade para os indivíduos em situação de rua nessa região.

A Sopa Veg é preparada com muito carinho pelos próprios voluntários que acreditam que as causas sociais são interseccionais, ou seja, todas as lutas devem unir esforços ao invés de segregarem-se. Por uma limitação de espaço não conseguem acolher todos os interessados no preparo da Sopa, porém, quem tiver interesse pode ajudar na entrega, além de ajuda financeira e de materiais.

Que tal ser um multiplicador de boas práticas e contribuir? É assim, com carinho e de mansinho que a gente vai transformando nossa realidade e proporcionando uma noite de sono um pouco menos fria e mais humana para a galera que está na rua.

Vamos para a parte prática:

O que eu posso doar? Feijão, macarrão de sêmola, além de roupas de frio e cobertores. Além disso arrecadamos recursos financeiros para compra de gás, embalagens e demais itens necessários.

Como contribuir? Para quem entregar? Como entrar em contato? As doações e contatos são concentrados na página do facebook (link abaixo).

Existe um prazo para as doações? Não há limite de tempo. O frio e a fome não esperam, então é interessante doar o quanto antes.

Página do Facebook: Voluntários da Sopa Veg – Curitiba.

Link: https://www.facebook.com/sopavegcuritiba/?fref=ts.

Compartilhe, contribua e mostre pro mundo que tem uma pá de gente boa e comprometida por aí.

“…se tentares viver de amor, perceberás que, aqui na terra, convém fazeres a tua parte. A outra, não sabes nunca se virá, e não é necessário que venha”. Chiara Lubich.

Sobre a política que me entristece e a solidariedade que eu acredito!

muihv_ALTA_MICHELEBRAVOS-174Não é de hoje que a República Brasileira convive com períodos de instabilidade e descontinuidade. Golpes, ditadura, confisco de poupanças, desigualdades. Em 2003, o país viveu um momento importante, a população acreditava que o Brasil seguia o rumo da construção de um país melhor e mais justo, o povo foi nutrido com a esperança de que esse era um país para todos e não para poucos, como tinha o costume de ser visto.

Inúmeros planos foram criados com o objetivo de promover a justiça social, igualdade, garantia de direitos, entre outras nobres lutas. Milhares de brasileiros foram e ainda são beneficiados com esses planos em diferentes instâncias. A proposta sempre foi digna e humana, porém, o cenário deixou de ser totalmente agradável quando os escândalos começaram a aparecer.

O partido que na oposição se dizia o grande defensor da ética na política, acabou se envolvendo em maracutaias com o dinheiro público e ainda que garantisse inúmeros benefícios para a classe trabalhadora, pela corrupção, acabou perdendo o foco, se igualando a todos os outros partidos no que diz respeito a integridade.

Com isso, inicia-se um movimento de segregação entre a população. Opiniões vazias e discursos de ódio começaram a soar natural para os ouvidos de alguns, por outro lado, parte da população mantém viva a esperança de viver em um país melhor e mais digno, acolhendo a diversidade de opiniões e posicionamentos. Existe sim uma parcela da sociedade que vai para as ruas, mas não para participar da disputa de egos e sim para praticar a solidariedade e de alguma forma promover o bem e disseminar a paz, com igualdade e amor no coração.

Se o nosso país tem solução? Tem sim e a solução está não na escolha de um partido ou de outro, mas sim na construção de um sistema de educação para a solidariedade, que traga consciência para as pessoas e que estas se tornem aptas a encarar as diversidades do mundo real promovendo as transformações necessárias.

Precisamos assumir a responsabilidade que nos cabe, ser mais crítico com a nossa própria conduta e não só esperar que alguém em algum lugar do país resolva todos os problemas!

Sigo com a certeza de que, nesse momento, ninguém me representa. Minha esperança hoje não é alimentada por nenhuma pessoa, mas por uma palavra: solidariedade.

“Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.”

Solidariedade 
so.li.da.rie.da.de 
sf (solidário+e+dade1 Qualidade de solidário. 2 Estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si igualmente as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas. 3 Mutualidade de interesses e deveres. 4 Laço ou ligação mútua entre duas ou muitas coisas dependentes umas das outras. 5 Dir Compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas pelas outras e cada uma delas por todas. 6 Sociol Condição grupal resultante da comunhão de atitudes e sentimentos, de modo a constituir o grupo unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face da oposição vinda de fora. S. social: consistência interna de um agregado social; coesão social.