Em meio as inúmeras conversas “banais” que já tive com meu pai, lembro de uma em especial que ele sabiamente falou que quanto mais o tempo passa, menos amigos ficam, aquilo não me soou como uma grande novidade, mas na ocasião lembro de ter concordado apenas parcialmente. Curiosamente a fala dele me visita quase todos os dias.

Concordei parcialmente não por acreditar que tenho mil amigos, mas justamente por questionar a permanência ou a continuidade daquelas c-i-n-c-o amizades que temos a c-e-r-t-e-z-a que podemos sim contar “sempre” e/ou “para sempre”. Será que isso acontece mesmo?

Eu não questiono com a intenção de menosprezar as amizades que eu acredito ter, mas por perceber uma fragilidade significativa nesses laços quando a vida de alguma forma nos atropela ou até mesmo quando nós mesmos nos atropelamos. Parece que a linha entre o “para sempre” e o “nunca mais” é tênue demais.

Não sei medir quão “boa” amiga sou e SE sou, mas arrisco dizer que tento. Pelos feedbacks inesperados que recebo de algumas pessoas, parece que as vezes eu acerto. Mas sabe o que me preocupa? O que me “preocupa” não é quem fica quando eu acerto, o que me preocupa é quem fica quando eu erro, quando ando na contramão, quando trago contrapontos, quando discordo, quando tropeço, quando acaba o cigarro ou quando não tenho grana pra cerveja.

Parece que a gente deixa a amizade a mercê de erros-acertos-erros-acertos, enquanto deveríamos deixá-la a mercê dos diálogos que estabelecemos diante essas coisas. Cada uma lida de um jeito, uns com barulhos, outros com silêncio, o problema é que com essas “diferenças” parece fácil demais a gente se perder e não deveria ser assim. As vezes é rápido demais. É pá pum e o brilho da amizade se foi. Meio louco, não? Não era de verdade? De outro mundo? Cadê?

Se a gente tem a intenção de ficar para sempre, a gente precisa de um olhar diferenciado para inúmeras situações, não? Quão difícil isso pode ser quando nos deparamos com uma situação de conflito real? Qual o melhor caminho? Não faço a menor ideia de todas essas respostas, na verdade, tenho várias outras perguntas.

Hoje o que sei é que o esforço para não perder aquilo ou aquela que você acredita e quer continuar acreditando, as vezes pesa. E poxa, é amizade, não deveria pesar, deveria ser aquilo que tira o peso.