Não está fácil mulher e em nenhum momento alguém prometeu que seria, não é?

A gente gosta de entender todos os sentimentos que habitam nosso coração e pensamentos, isso nos mantém atenta aos detalhes, mas ao mesmo tempo refém das nossas dores, afinal pensar demais faz com que qualquer laço vire nó. E está na nossa cara, todo mundo sabe: não está sendo fácil sobreviver ao caos que o mundo virou!

As pessoas caminham cheias de si, professam discursos bonitos na tentativa de transmitir certezas, segurança e felicidade, mas no fundo estão completamente perdidas, perdidas afetivamente, politicamente, intelectualmente, profissionalmente, tecnologicamente. No português bem claro: tá foda!

Estamos imersos num universo líquido, carregado de informações vazias, sobra angústias, falta ar, sobra conflitos, falta paz. Discursos utópicos alimentam falsas esperanças. A leveza é cada vez mais superficial. A escuta cada vez mais mecânica. Os conselhos cada vez mais narcisistas.

O ombro pesa, a garganta inflama, a coluna trava, o câncer brota como uma flor, a depressão derruba, o choro sai, o coração desmancha, a solidão invade a casa, com ela: insônia, falta de sentido, preguiça do mundo. Repito: tá foda.

Olhar para o espelho dói, é complexo, porém, necessário. O estômago embrulha, a gente fecha os olhos e pensa: eu não aguento mais…mas de alguma forma aguenta, aguenta e corre, mas corre de quem? Do que? Ou corre para quem? Corre com quem? Para onde?

“Não posso parar, não posso parar, não vou parar…”, não pode parar porquê? Ah, porque se parar vai ter que encarar. Encarar a vida, a gente corre justamente para não fazer isso. E não percebe que quanto mais a gente corre, mais sozinha a gente se sente, mas não são os outros que estão correndo de você, é você que está correndo deles. Aperte o freio.

Coragem mulher, CORAGEM. Encarar as coisas exatamente como elas são talvez seja a única saída para organizar essa bagunça. A resposta está dentro, a resposta não está fora, mas a gente só encontra a resposta de dentro, dividindo com quem está fora.

“Mas e a solidão?”, ROMPE COM ELA, pede para ela sair com a mesma velocidade com que chegou, para com esse silêncio ensurdecedor, divide o fardo, pede socorro e grita por cuidado. Tem gente por aí que não se incomoda com o fato de você não estar no seu melhor momento. ENCONTRE essas pessoas, quem sabe você não se encontra ao encontrar com elas.

Um mantra: “parar de correr, romper com a solidão, dividir, acreditar”. “Mas como? Ninguém tem nada a ver com isso, é delicado falar, ninguém quer ouvir”. BULLSHIT. É você que está caindo na sua própria armadilha e precisa sair desse ciclo vicioso. Esperneie, chore, grite, só saiba com quem fazer isso. Mostrar para o outro não te torna menos forte, perca um pouco o controle, potencialize o autocuidado.

A gente precisa aprender a dizer o que sente pelas pessoas quando elas nos dão a chance de partilhar vida com elas. Comece por você mesma, olhe para o espelho e escute você falando tudo o que se sente. As vezes precisa doer para curar.

Não importa o quão dura a vida esteja sendo com você, você pode partilhar suas dificuldades, a sua essência é leve e do bem e é isso que as pessoas sempre vão lembrar.

O tempo que temos com as pessoas é precioso. Pode ser 5, 10 ou 15 minutos, a gente precisa aprender a ser presente no tempo, isso faz com que os detalhes preencham nossos dias de significados.

Precisamos aprender a lembrar de todas essas coisas não só quando estamos sensibilizados, mas quando estamos na correria dos dias, com pressa e sem paciência.

A vida é cíclica, sobreviver é um exercício diário, sorrir também. A solução talvez seja RESSIGNIFICAR todas as coisas.

E por fim, precisamos aceitar que não conseguimos mudar o passado, mas nos cabe a tentativa de transformar o presente. Não está nada fácil e talvez nunca fique, as vezes tudo que você precisa é andar despreocupada na chuva, sentir os pingos caírem no rosto e aproveitar, ainda que todos estejam fugindo do tempo ruim.

Pare, respire fundo e agora corre, mas corre para um abraço quentinho.