Eu sempre gostei de entender todos os sentimentos que transitam no meu coração e no meu pensamento, isso faz de mim alguém atenta aos detalhes, mas ao mesmo tempo confusa, afinal pensar demais faz com que qualquer laço vire nó.

Nos últimos meses ao me deparar com o começo do fim da vida de uma das pessoas que mais amo, minha cabeça deu um nó. Conscientemente e inconscientemente eu me perdi. Meu comportamento mudou, fiquei mais arisca com as pessoas mais próximas, andei no limite, tomei uns porres homéricos na tentativa de fugir dos meus pensamentos, até brigar eu briguei, estava me sentindo estranha comigo mesma.

Eu tentei por um tempo me fazer de mal-entendida, mas as noites de insônia não me permitiram fugir de mim mesma por muito tempo. No dia do fim da vida dela eu não tinha mais para onde fugir, olhar para o espelho e encarar aquele turbilhão de sentimentos foi necessário, complexo e estranho.

Poucos dias se passaram, as lágrimas ainda são rotina, as noites de sono ainda não são tranquilas, o estômago ainda anda meio virado, mas encarar a vida como ela é e as coisas exatamente como são têm me ajudado a começar a organizar toda bagunça que habita aqui no meu coração.

É como se toda dor me proporcionasse a chance de organizar meus sentimentos. Eu me perdi ao pensar no rompimento da minha relação física com ela antes mesmo dele acontecer, na minha cabeça aquilo era um processo de “preparação”, quando o rompimento se fez verdade, eu vi que nada prepara a gente para esse tipo de situação, mas entendi que é preciso enfrentá-lo com sabedoria.

Nesse momento as coisas ainda andam meio tumultuadas, mas eu gostaria de partilhar algumas reflexões, por mais clichês que elas sejam.

A gente precisa aprender a dizer o que sente pelas pessoas quando elas nos dão a chance de partilhar vida com elas;

A gente, ou talvez nesse caso, eu, preciso aprender a não ter medo de me entregar num relacionamento por pensar que eu posso sofrer com o fim dele, afinal a entrega vale a pena mesmo que um dia acabe, amar será sempre válido;

Não importa o quão dura a vida esteja sendo com você, o que você transmite para as pessoas e para o mundo precisa ser leve e do bem, é isso que as pessoas sempre vão lembrar;

O nosso valor está vinculado somente aquilo que nós somos e pela maneira com que nos relacionamos com o outro, aquilo que temos ou deixamos de ter é um mero detalhe;

O tempo que temos com as pessoas é precioso. Pode ser 5, 10 ou 15 minutos, a gente precisa aprender a ser presente no tempo, isso faz com que os detalhes preencham nossos dias de significados;

Precisamos aprender a lembrar de todas essas coisas não só quando estamos sensibilizados, mas quando estamos na correria dos dias, com pressa e sem paciência;

As pessoas que estão verdadeiramente do seu lado são fundamentais, elas nos mantêm em pé e suavizam a dor dos dias;

A vida é cíclica;

E por fim, precisamos aceitar que não conseguimos mudar o passado, mas nos cabe a tentativa de consertar os erros cometidos com o intuito de transformar o nosso presente.

Tudo isso é um clichê danado, mas aprender a lembrar de tudo deve ser um exercício diário e os dias que eu esquecer disso lembrem de chamar minha atenção.