Da série: “Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar…”

Olho as ruas, as vielas, os barracos das pessoas, na minha mente uma janela se abre, enquanto a realidade não mente, mas cadê a tal dignidade da gente?

Quebrada toda minha realidade iludida, a mão na minha miséria eu ponho a cada realidade invisível que me é mostrada.

Ilusões cortadas, fé abalada a cada fiapo de dignidade ignorado. Onde que foi parar a ambição do ser humano?

Todo ser humano é digno de um banho.

Cruzo meus olhos com ele,

Será que ele merece tudo que vem pela frente?

Todo ser humano é digno de um banho.

Cruzo meus olhos com ela,

E outra janela se abre na mente ao pensar que todo ser humano deveria ser digno “merecidamente”.

Troco as ruas e as vielas, uma estrutura montada para cobrir a massa que corre o risco de morrer de fome, é a cidade capitalizada nas custas de uma mão de obra barateada.

Todo ser humano é digno de um banho.

No meu lugar de privilégio me questiono, por que só eu sou digno desse banho, se no lugar que eu lavo a alma não se lava o corpo?

Todo ser humano é digno de um banho.

Me olho no espelho e penso: você vai ser capaz de mudar o senso?

A responsabilidade é só uma questão de bom senso, afinal, se o cara que não tem nada de casa e de grana te ensina tanto,

A lógica que estão vendendo por aí é um mero engano.

Todo ser humano é digno de um banho.

A luz da verdade está na contramão dessa sociedade, prestar atenção nisso, só te faz menos covarde.

Enquanto a minha vaidade prevalecer a humanidade nem todo ser humano será digno de um banho.

Foto: Michele Bravos

Foto: Michele Bravos