14707883_1206911766047076_3877535627326639945_oNão está nada fácil sobreviver no caos desse mundo!

As pessoas caminham cheias de si, professam discursos bonitos na tentativa de transmitir certezas, seguranças e felicidade, mas no fundo estão completamente perdidas, perdidas afetivamente, politicamente, intelectualmente, profissionalmente, tecnologicamente.

Imersos num universo líquido, mas carregado de informações, sobra angústias, falta ar, sobra conflitos, falta paz. Discursos utópicos alimentam falsas esperanças. A leveza é cada vez mais superficial. A escuta cada vez mais mecânica. Os conselhos cada vez mais narcisistas. O ombro pesa, a garganta inflama, a coluna trava, o câncer brota como uma flor, a depressão derruba, o choro sai, o coração desmancha.

Preocupados em manter uma boa aparência, engolimos nossas angústias, ignoramos nossas dificuldades, poupamos o outro de saber nossas limitações com medo de parecer frágil ou de passar vergonha. Como diz Criolo, a ganância vibra, a vaidade excita. Poupamos tantas palavras que o silêncio não é mais carregado de consentimento pelos sentimentos, o silêncio é vazio, ensurdecedor.

O simples é invisível aos olhos e desvalorizado pelos outros. Para valer tem que ser magnânimo, extraordinário, substancial. Por medo de mostrar a nossa verdadeira face, não percebemos que criamos nossos esconderijos no mesmo barco, ignoramos o fato de navegar no mesmo mar. Nos apegamos em âncoras enferrujadas.

Nosso barco está afundando sem ninguém perceber, pois criamos uma redoma que ao invés de nos proteger, está nos sufocando. Na tentativa de nos salvarmos, corremos o risco de não aprender a nadar juntos, mas de ver um a um morrer afogado.

Não está nada fácil sobreviver nesse mundo e sabe quando isso ficou ainda mais evidente? Quando andei despreocupada sentindo a chuva cair sobre o meu rosto, enquanto as pessoas fugiam do tempo ruim.

A solução talvez seja olhar, olhar, perceber e sentir o outro!