downloadO capitalismo que vivemos hoje por mais “necessário” que seja para a economia e desenvolvimento do mundo, entrou em um ritmo desenfreado que tem gerado prejuízos imensuráveis para a nossa sociedade. Prioriza-se valores financeiros e esquece-se de valores humanos. A ênfase está muito mais em “ter” do que “ser”.

A competitividade, o individualismo e a busca incessante pelo “ter” parece ter enforcado o sentido do humano que existe dentro de cada um, com isso, os laços afetivos e a preocupação com o próximo se tornam cada vez mais superficiais, desde a nossa infância até a nossa vida adulta.

A criança nasce, cresce e se desenvolve em um cenário de carência afetiva. Chega na idade escolar e se depara com um sistema de ensino que na maioria das vezes, continua reproduzindo, ainda mais, a competitividade e o individualismo, priorizando conteúdos curriculares desvinculados dos aspectos humanos, afetivos e formativos.

Ao ingressar no ensino superior a “qualidade do ensino” será garantida quanto maior for a condensação de conteúdos e quanto mais disciplinas forem comtempladas na grade curricular. Grade essa que limita os demais saberes referentes a vida e ao relacionamento humano, novamente criando uma cultura de conformismo social. Óbvio que todo processo educativo deve ser levado com competência técnico-cientifica e rigorosidade metódica, mas sem banir a humanização das práticas.

Nesse cenário, qual o espaço dos processos de humanização? O que se pode fazer para mudar? Qual é o verdadeiro papel da educação? E acima de tudo, qual é o nosso papel dentro da sociedade? Precisamos parar para pensar nessas questões e mais do que planejar transformações, agir em prol delas. Como? Através da valorização da multidimensionalidade do ser, da vivência do ser humano, do convívio com diferentes realidades, da prática da solidariedade e do amor. É preciso desacomodar-se e ir à luta.

A construção de uma cultura humanizada deve ser coletiva e consciente. A esperança se renova quando a gente tropeça com gente que carrega esse mesmo propósito dentro do peito e tem sim muita gente boa por aí, só precisamos criar a rede para que as práticas de humanização sejam efetivas e perenes.

Humanizar em tempos de coisificação é um ato de coragem, é nadar contra a maré na certeza de que um dia os ventos passarão a soprar a favor do bem comum.

“A solução realmente mais fácil para encarar os obstáculos, o desrespeito do poder público, o arbítrio da autoridade antidemocrática é a acomodação fatalista em que muitos de nós se instalam. “Que posso fazer, se é sempre assim? […] Pois que assim seja”. Esta é na verdade a posição mais cômoda, mas também a posição de quem se demite da luta, da história. É a posição de quem renuncia ao conflito, sem o qual negamos a dignidade da vida. Não há vida, nem humana existência, sem briga e sem conflito. ” Paulo Freire