1Liberdade quando eu tinha 7 anos era poder caminhar até a escola que ficava na mesma rua da minha casa, sozinha. Aos 10 era ficar sozinha em casa. Aos 15 sair e poder voltar as duas da manhã. Aos 18 entrar na balada com meu próprio documento. Aos 19 dirigir e viajar com os amigos sem autorização prévia, só avisando meus pais. Aos 22 ter minha própria grana. Hoje, aos 25 e meio, liberdade é assumir as consequências das minhas escolhas com responsabilidade e comprometimento. Ser livre nunca foi tão difícil.

A palavra liberdade sempre me atraiu, sempre me instigou, mesmo quando eu não entendia o seu conceito e o seu tamanho. Tem gente que diz que é coisa do meu signo, prefiro acreditar que é coisa da minha identidade vinculada ao meu propósito de vida. É difícil encontrar alguém que não goste de ser livre, mas nem todo mundo assume a liberdade como um compromisso.

Ser livre exige responsabilidade e amadurecimento. É um processo. Ninguém nasce sabendo ser livre, as nossas experiências vão nos ensinando o peso da liberdade, até que se crie consciência e ela vire de fato uma escolha. Eu escolhi ser livre, mas isso me fez refém de uma série de responsabilidades. Ao dizer sim a liberdade, automaticamente disse não para o comodismo, para a ignorância, para a zona de conforto, para o egoísmo, para a preguiça.

Não disse sim só a liberdade, disse sim também para uma jornada de trabalho de mais de 10 horas por dia. Disse sim ao conhecimento e a busca constante dele. Disse sim ao pagamento em dia de todas as contas através do meu próprio esforço. Disse sim ao compromisso com o próximo. Disse sim ao não, no sentido de que precisei aprender a engolir vários deles. Disse sim para noites de sono mal dormidas. Disse sim a uma mente totalmente inquieta. Disse sim para o cansaço das pernas em prol da gratidão e satisfação do coração. Disse sim aos riscos e as incertezas.

As vezes vinculamos a nossa liberdade a uma condição que o outro pode nos proporcionar ou não, sem nos darmos conta de que nós mesmo nos privamos dela pela facilidade de viver sem correr riscos, numa gaiola mental. O dia que assumi minha liberdade eu descobri belezas impressionantes nas incertezas do meu caminho.

“Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposta. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos voos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…”