TeoriaU-598x346Lembro quando eu tinha uns 8 anos, minha família costumava ir ao clube, tinha 3 trampolins de alturas diferentes, o terceiro e mais alto não era muito frequentado, mas eu sempre me interessei por ele, a altura e o desafio me chamavam atenção. Sem julgamento e sem medo nenhum, um dia qualquer, encarei o “negócio”. Subi, corri, pulei, fechei os olhos e só senti, senti o maior frio na barriga, até aquele momento da minha vida, uma das melhores sensações que já tinha conhecido.

Esses dias fui em um parque aquático e um brinquedo que envolve altura e água novamente me chamou atenção, dessa vez, com a bagagem mais carregada de experiências, antes de dizer sim ao brinquedo, hesitei, julguei: “É seguro? Não vou voar para o lado? Não vou me machucar?”. Além do julgamento o medo se fez presente, precisei ver 1, 2, 3 pessoas descendo para confirmar: sim, eu vou. Subi e encarei o “negócio” e descendo senti um frio na barriga tão grande e tão bom quanto aquele que senti aos 8 anos.

Tá e daí? E daí que fiquei pensando que essa talvez seja a primeira grande lição de 2016. Quantas vezes o julgamento e o medo nos impedem de tomar iniciativas que podem nos proporcionar bons momentos, projetos e frio na barriga no futuro? Quantas vezes as lentes do julgamento que colocamos diante dos nossos olhos nos impedem de progredir? Quantas vezes a voz do medo nos impede de deixar ir?  Quando somos crianças somos referências em espontaneidade, criatividade e imaginação, por que na fase adulta temos dificuldade em deixar prevalecer essas três palavras? Será que estamos usando nossa bagagem, nosso aprendizado, nosso passado para ampliar nossos horizontes, ter novas visões, encontrar novas soluções e progredir ou para ficar preso no mesmo lugar, seguindo padrões já ultrapassados?

A leitura/estudo de férias que estou fazendo diz que a crise do nosso tempo não é só a crise de um líder, organização, país ou conflito isolado. A crise do nosso tempo releva a morte de uma antiga estrutura social e maneira de pensar. Também fala bastante sobre o quanto a voz do medo, do cinismo e do julgamento nos atrapalham, por exemplo, se eu tivesse deixado o medo falar mais alto, não teria encarado o brinquedo e não teria pensado e relacionado todas essas coisas, além de não ter sentido aquele frio na barriga agradável.

A Teoria U (minha leitura de férias) lida com uma pergunta central: o que é preciso para aprender e atuar a partir do futuro à medida que ele emerge? Que tal começarmos 2016 sem pré-conceitos? Que tal começarmos esse ano com mais questionamentos do que respostas prontas? Tenho certeza que sentiremos muito frio na barriga, teremos muitas expectativas superadas e um futuro totalmente inovador. O primeiro passo? Mente, coração e vontade aberta!

*A Teoria U é bem mais complexa do que as simples colocações que fiz nesse texto, ainda não terminei o estudo, apenas compartilho com vocês algumas reflexões que surgiram no começo dessa jornada. 

Um ótimo (re)começo à todos!