1A palavra na moda é “crise” e tudo é consequência dessa dita cuja – amaldiçoada crise.

Virou a febre e a bengala do momento. A sociedade brasileira, talvez não sem razão, está atônita, pois a crise “está aí”, escreve o jornal, o rádio, a TV, a novela, fala o padre, o pastor, o monge e o comerciante, é assunto de nossos conhecidos, nosso vizinho, da pessoa que se senta ao nosso lado no ônibus, ou quem passa logo a nossa frente no caixa do supermercado. Estamos mergulhados nela!

Devido a minha idade 40 e poucos anos, me lembro de algumas crises, mas nunca havia sentido ela tão próxima a minha realidade, como recentemente. Talvez por que nas crises passadas, não tivesse o peso das responsabilidades que hoje tenho em minha vida.

Para exemplificar isso, permita-me narrar uma pequena história:

Me encontrei essa semana com um amigo, que é (ou era) professor de uma Instituição de Ensino Superior de Curitiba. Ele estava bastante chateado, pois acabara de saber que por conta da crise, teria seu contrato com a Instituição descontinuado.

Como bom amigo, convidei-o a tomar um café, para conversarmos a respeito.

Ele então me detalhou que assim como outros colegas dessa instituição, estava sendo desligado e por conta disso, estava bastante chateado, pois depois de anos de dedicação àquela organização, nem mesmo um “obrigado” recebera, somente um frio comunicado de que não faria mais parte do quadro docente.

Me disse que um filme passara em sua cabeça, pois estar naquela universidade era realizar um sonho, abriu mão de outras atividades para dedicar-se ali, mas que já há algum tempo estava descontente, pois percebia que as oportunidades, que acreditava merecer, nunca chegavam até ele. Sempre acreditou que podia fazer mais, colaborar mais.

Conversamos por um bom tempo, sobre o momento, o contexto, os acertos e erros, as organizações e claro as pessoas dessas organizações.

A conversa, acredito eu, fez bem para nós e, mais calmo, ele levantou a seguinte questão, quando estávamos pagando nosso café:

“Pensando bem, acho que meu ciclo nesse lugar foi concluído! Acho que me deram o empurrão que eu precisava.”

É nesse ponto que gostaria de focar – nos ciclos da vida – e não na danada da crise.

Nesse momento ou em outro qualquer, talvez seja interessante analisarmos se nosso ciclo naquela situação não está cumprido. Se não estamos patinando e não conseguindo sair do lugar.

A “crise”, seja ela como for, pode ser em diversas situações, somente o sinal de que nosso ciclo ali foi finalizado.

Devemos, a partir dessa consciência, que não é fácil, reunir nossas forças e partirmos para outra, buscarmos outros ciclos, outras aventuras, outras crises.

Veja bem, não estou aqui dizendo que isso seja fácil, afinal, somo humanos, somos únicos e como tal, somos afetados por variados fatores, que podem tornar essa percepção um tanto quanto difícil. Aceitar o não, acreditar que não é culpa da crise ou mesmo que seja, vale acreditarmos que podemos ser mais fortes que ela. Isso não é tarefa fácil, mas é possível, depende muito mais de você do que de qualquer outro fator.

Não quero parecer piegas, ou ser confundido com frases de para-choque de caminhão, ou texto de livro de aeroporto, mas não coloque tudo na conta da crise. Acredite mais em você, se prepare, para que quando ela chegar próximo, você esteja em condições de fechar esse ciclo e começar outros, mais intensos, mais desafiadores, mais construtivos…e com isso, o sabor da vitória estará sempre ao seu lado.

Acredite mais em você!!!

Autor: Júlio Adriano Ferreira dos Reis

Professor e Consultor Organizacional

Contato: julio.conhecimentum@gmail.com