flowersCada dia tenho a certeza maior de que todos e tudo, sempre, em qualquer lugar, e em qualquer situação podem nos ensinar algo.

Muitas vezes, quando estamos diante de uma situação desagradável, a frustração, indignação ou raiva são as primeiras a tomar conta do controle interno das emoções. Essas situações vão das menores a maiores. 

Vamos começar com uma das menores.

Sempre que eu estou atrasada, surge um ser – humano – lesma na minha frente, andando a 30 km/h com a merda do carro dele. É, a merda do carro dele. Esse é o primeiro pensamento que surge na minha mente. “Que merda de cara e de carro. Pra que andar nessa velocidade, é inacreditável. Tá me atrasando pra reunião e estragando minha manhã”.
Enquanto penso isso, sinto indignação e raiva, e no mesmo instante começo a me sentir mal. 

Primeiro ponto.

Pensamentos de baixa vibração, causam sentimentos de baixa vibração, e coisas de baixa vibração fazem sentirmo-nos mal.

Fato.

Ou vai me dizer que você se sente em paz quando está com raiva, indignado, frustrado, puto – da – cara?
Não se sente. Você se sente mal, eu me sinto mal, todos nos sentimos mal. E quando a gente tá pro mal, é incrível como tudo fica mal junto. A gente chega ao destino e não tem onde parar o carro. A gente derruba a pasta com os documentos no caminho, tropeça, e o dia é um saco. A gente trata todo mundo como se fosse o cara da merda do carro.

Eu escolhi me sentir mal.

A escolha foi minha. Quem estragou com a minha manhã fui eu, com o que escolhi pensar e sentir, e não o cara que não faço ideia porque anda como uma lesma.

A escolha foi inconsciente e rápida, e eu nem me dei conta. Mas eu escolhi. Se tivesse pensado e sentido com mais consciência eu poderia ter escolhido o caminho mais difícil e melhor pra mim: A ACEITAÇÃO.

Não faço ideia porque um cara anda a 30 km/h numa via de mão única, às 8h da manhã, de uma terça feira. Ele não pode estar passeando. Ele só pode estar de brincadeira com a minha cara. Mas ok. Eu não posso faze-lo correr e o mais importante: eu não tenho como sair do lugar. Ele está na minha frente, esse é o fato e eu não posso mudar isso. Então eu lembro que se eu alimentar a raiva através dos meus pensamentos, e meus pensamentos através da raiva eu vou estragar meu dia pelos próximos minutos. Ou horas. Raiva gera mais raiva.

Segundo ponto.

Coloco em prática a respiração do Yoga, a aula de canto, ou aproveito pra rezar pro Santo. Qualquer coisa que não me estresse.

Com sabedoria eu aceito e escolho me sentir bem. Deixo meus pensamentos passarem antes de dar corda pra eles, e deixo a sensação de uma música bem legal comandar meus sentimentos.

Como diz a oração da serenidade: “Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar”.

Serenidade em letra maiúscula, porque se eu alimenta-la com bastante auto controle, escolha consciente e sabedoria, já percebi que tenho mais chances de ter um dia bom. E eu quero ter um dia bom.

O cara da merda do carro é uma coisa das menores e ele me ensinou mais um capítulo sobre a paciência, uma coisa das maiores.

Autor: Gabriela Miranda Celia