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tecnologia-informacaoA tecnologia foi, muitas vezes, utilizada como “sinônimo de progresso”, por ser resultante do desenvolvimento da ciência e, também, ser neutra, objetiva e positiva. Parecia que nada tinha haver com conceitos e experiências de relacionamento. De fato, no início da internet só existiam sites estáticos, com pouca interatividade, com muitos “sites em construção”. Foi a era da comunicação essencialmente feita por e-mails.

Com a chegada da chamada “Web 2.0” esse contexto mudou, ou seja, qualquer usuário pode contribuir, se expressar, criar conteúdo, interagir. Que beleza!  Multiplicam-se páginas com chats, blogs… Saber da vida dos outros e falar da vida aos outros fez das “redes sociais” um sucesso. O relacionamento humano, agora, é o centro das atenções.

E os dispositivos? Quanta evolução. De computadores grandes e pesados como pedras, de celulares ‘tijolões’ para uma diversidade de aparelhos cada vez mais portáteis e multifuncionais.

Mudou a nossa relação com o mundo; mudou a maneira de percebermos e de interagirmos com a realidade. Com tantas facilidades trazidas pela tecnologia podemos nos perguntar: como é que as pessoas sobreviveram tanto tempo sem internet?

Pois é! Por meio deste questionamento se pode responder o essencial: mudou o meio, mas a essência continua sendo a mesma: humana (um antropocentrismo moderno?!). Sim, tudo é construído para melhorar a vida humana. Na verdade, com a tecnologia mudou a intensidade e a necessidade da comunicação humana, agora feita de maneira instantânea por sons, imagens, vídeos e textos, entre indivíduos e comunidades.

No entanto, não é apenas comunicação. Mudou a relação comigo mesmo, com outros, com grupos e com todo o universo. Se criou outro ambiente (virtual), que determina e cria estilos, pensamentos, conhecimentos, vínculos, territórios. Enfim, não são só os meios que se transformam, mas também o próprio ser humano e a toda a sua cultura.

Imagino eu, daqui há alguns anos, programando a minha cozinha pelo Smartphone, para que, quando eu chegar em casa, encontre o jantar fresquinho servido em minha mesa, enquanto que, no caminho para casa, o carro é guiado, as portas se abrem, luzes acendem e se apagam por meio dos diversos sensores, tudo automaticamente. Uma maravilha! Mas, e como fica o fator humano? A pele na pele, olhos nos olhos? Não posso programar um ser humano da mesma forma.

A tecnologia derrubou os muros de casa. Nas casas, antigamente, o muro ou a cerca eram um limite. E agora, quais são? Se é triste viver com várias pessoas morando na mesma casa e se sentir sozinho, imagino o quão seja difícil estar conectado com o mundo todo, mas continuar se sentindo sozinho.

Talvez um sábio caminho fora apontado por Aristóteles, o qual defende a ideia de que a humanidade busca a excelência (virtudes) com o “justo meio”, ou seja, no caso do uso da tecnologia, é buscar o equilíbrio entre o individual e social, entre real e virtual.

O fato é que a relação humana leva tempo e a nossa vida não é virtual. Se a vida for somente mediada pela tecnologia certamente será incompleta. Penso que a tecnologia deve ser usada para harmonizar, integrar, incrementar e potencializar a realidade humana no máximo possível, numa vida de relações plenas e sinceras. A realidade virtual ajuda, mas a presença real é a que realmente estimula mais os nossos sentidos, tanto os biológicos como os ideais da vida. É mais completo! Com as duas realidades juntas e harmonizadas então?! É perfeito!

Neste mundo interativo, podemos estar conectados às informações e perdermos nossa ligação com os seres humanos”. (Edward Esber)

Autor: Jonas ChupelJonas é Bacharel em Teologia e Sistemas de Informação pela PUCPR, termina em Julho uma Especialização em Gestão do Comportamento e Organizações, atualmente é responsável pelo setor de TI da ASBM (Associação de São Basílio Magno).