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downloadAcordamos, abrimos os olhos, escolhemos se apertamos a função soneca mais uma vez ou não antes de levantar, escolhemos se vamos tomar banho ou não antes de sair, escolhemos a cor da calça que vamos vestir, o tecido da blusa que vamos colocar, escolhemos o perfume do dia, o creme do rosto, se o brinco será de prata ou de ouro, se a gravata vai ser lisa ou estampada.

Escolhemos se vamos tomar café em casa ou no trabalho, escolhemos o caminho que vamos fazer até chegar ao nosso destino, ao chegar nele escolhemos se vamos ler os e-mails primeiro e pagar as contas depois ou se vamos ver as notícias e depois encarar aquela reunião.

Escolhemos o lugar onde vamos almoçar, a comida que vamos comer, escolhemos se vamos tomar suco, água, refrigerante ou nada. Após o almoço escolhemos se vamos colocar uma ou duas colheres de açúcar no cafezinho. Escolhemos se vamos sair do trabalho direto pra casa ou se vamos encontrar os amigos, se vamos jantar ou só fazer um lanche.

Escolhemos o que assistir na TV, o que ler na internet, para quem ligar, com quem conversar, escolhemos a ordem da nossa rotina e organizamos o nosso dia, com pequenas limitações, mas de acordo com a nossa própria vontade.

Fazemos mais de 50 escolhas por dia e não nos damos conta do quanto isso está relacionado com a nossa liberdade, liberdade de expressão, liberdade de sentimento, liberdade de deslocamento, liberdade de consciência, liberdade de trabalhar, de ser, de sentir, de ter voz, liberdade de agir, de pensar, liberdade de ver e ser visto.

Independência e autonomia para exercer nosso direito de escolha é o que reforça nossa identidade e o que nos torna diferentes uns dos outros. Nos sentimos mais humanos e mais vivos quando nos damos conta do quanto somos livres. Nos sentimos capazes quando somos livres de qualquer tipo de aprisionamento.

As pessoas que vivem em privação de liberdade, seja ela física e/ou moral, acabam reféns das escolhas dos outros, com isso, aos poucos vão perdendo a identidade própria, o desejo de viver e a capacidade de reconhecerem o valor que possuem.

Quantas vezes cruzamos com pessoas que são seres, mas que não se sentem dignos de ser humanos? Quantos olhares já cruzaram com o nosso nos mostrando que ser um ser humano vivo não significa, obrigatoriamente, ser humano e nem ter vida?

Nós, enquanto seres humanos, vivos e livres, devemos valorizar a nossa liberdade e usá-la com inteligência para permanecer com o direito de escolha e conscientes para fazer boas escolhas, criando oportunidades de resgatar ou devolver o brilho nos olhos para as pessoas que passam por nós, mas não acreditam mais em quase nada, não só para garantir nossa satisfação própria, mas para vivermos num ambiente mais saudável e justo.

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina

Autor: Juliana Zanona