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6a00d8341bfb1653ef016765f3b82a970bMillôr Fernandes disse certa vez que só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto. Estamos inseridos num mundo em que os meios de comunicação facilitam a troca de informação, mas será que essa troca está sendo efetiva? E até que ponto não estamos “desaprendendo” a nos relacionar no modo “face to face”? Quantas vezes deixamos de dizer alguma coisa pessoalmente porque consideramos mais fácil mandar via e-mail ou whatsapp?

Vivemos em um mundo relacional, em que cada indivíduo estabelece relação consigo mesmo, com o outro, com pequenos grupos sociais e com a sociedade como um todo, dessa forma, a comunicação está diretamente ligada aos relacionamentos que construímos no decorrer dos dias. A maneira que me comunico afeta todas essas relações, pois um dos propósitos da comunicação é iniciar, manter e findar relacionamentos.

A comunicação é a base da interação humana, é através dela que consigo transferir informações (ideias) e fazer com que o outro compreenda a minha intenção, estabelecendo uma ponte de sentido entre nós e gerando significado dentro dessa troca. A partir disso consigo dar, receber e trocar informações, liderar pessoas e equipes, persuadir e influenciar pessoas e expressar pensamentos, pretensões e decisões.

A partir do momento que não partilhamos significados e valores comuns com a pessoa que estamos nos comunicando nos vemos numa situação de conflito, pois não estamos habituados a aceitar com facilidade opiniões e posicionamentos diferentes do nosso, é preciso uma escuta ativa e muito respeito para que esses conflitos sejam produtivos e não destruidores.

Você já conversou com pessoas que estão se preparando para fazer uma viagem para outro país e que não possuem fluência na língua estrangeira? Grande parte dessas pessoas temem não conseguir se comunicar no local, mas até que ponto conseguimos nos comunicar mesmo falando a mesma língua? Muitas vezes o excesso de palavras é justamente o que compromete a comunicação. A fala é apenas um dos canais de comunicação.

O professor Albert Mehrabian, professor da Universidade Católica, em Los Angeles, fez uma pesquisa e descobriu que apenas 7% dos sentimentos e dos propósitos das pessoas são transmitidos através das palavras, 38% dos sentimentos são comunicados pelo tom da voz e 55% através de comportamento não verbal. Pense comigo, o canal de comunicação que temos o maior controle, o verbal, é o que tem menor impacto sobre sua contraparte. O corpo fala e precisamos estar atentos a isso.

Ruth Bebermeyer diz que palavras são janelas ou são paredes, elas nos condenam ou nos libertam, para finalizar nossa breve reflexão compartilho com vocês as palavras dela:

“Sinto-me tão condenada por suas palavras,

Tão julgada e dispensada.

Antes de ir, preciso saber:

Foi isso que você quis dizer?

Antes que eu me levante em minha defesa,

Antes que eu fale com mágoa ou medo,

Antes que eu erga aquela muralha de palavras,

Responda: eu realmente ouvi isso?

Palavras são janelas ou são paredes.

Elas nos condenam ou nos libertam.

Quando eu falar e quando eu ouvir,

Que a luz do amor brilhe através de mim.

Há coisas que preciso dizer,

Coisas que significam muito para mim.

Se minhas palavras não forem claras,

Você me ajudará a me libertar?

Se pareci menosprezar você,

Se você sentiu que não me importei,

Tente escutar por entre as minhas palavras

Os sentimentos que compartilhamos.”

Ruth Bebermeyer

Autor: Juliana Zanona