Respirar Fundo

Respirar fundo.
Mantra que me leva quando sinto o fundo do mundo em mim.
Respirar fundo.
Mantra que me leva pra perto de quem mora longe de mim.
Respirar fundo.
Mantra que me leva para o melhor de mim.

#ELENÃO

Caro Senhor Bolsonaro, estou aqui para mandar um recado.
Enquanto você defende uma sociedade armada
A minha voz é para que toda mulher saia de casa empoderada.
Caro candidato, eu não vou ficar no armário
Quando o sinal fecha
Eu beijo a mina que está do meu lado.
Caro presidenciável, não vou ficar calada
Cada vez que escuto seu decoro
Sinto a corda no pescoço
E grito para que todas as consciências sejam despertadas.
Ah meu caro
Eu estou com elas
Somos a resistência
A luta aqui é junção de milhões de corações revolucionários. 

Tão Nossa

Estava vazio
Vazio de sentido
Sentindo tudo
A flor da pele
Sensível
A qualquer toque sútil
Não mais vazio
Agora cheio
Cheio de lágrimas
Melancólicas
E o sangue surgiu
Agora não mais cheio
Nem tão vazio
Só um alívio
Por todo exagero que sentiu

Sobre a TPM, tão nossa.

Ato Marginal

O ato marginal
Que abre as portas e as janelas
Do país das maravilhas
Onde o dia parece curto
E a noite vários dias
Alguém dizia
“Aqui a dor é pequena e a gargalhada samba no tédio de cada dia”
Dá para sentir o papo quente
Em harmonia
Com qualquer noite fria
Ergue-se a moral com qualquer raio que se finda
“Fica, não existe frustração e nem hipocrisia”
Outro alguém me dizia
Eu me entregava
Depois
Me sucumbia
Já não queria mais saber do raiar do dia
Ele cessava a melodia da minha mente iludida
Fui descobrir mais tarde
Que li errado o recado na bilheteria
Mergulhei fundo
E era o país das armadilhas.

Tudo vira pó.

Buquê de flores mortas!

Despejo Bethânia em mim.

E todas, todas as Marias brotam e gritam no meu peito.

Tem Maria que sorri, mas tantas outras estão aos prantos.

Elas choram, elas gritam, elas imploram, enquanto eles matam.

Ninguém vê, ninguém viu, o tempo parou ali, faltou ar, os olhos fecharam, a vida sumiu.

“Não mexe comigo, não mexe comigo que eu não ando só”.

Ando com todas elas, morro um pouco com cada uma.

Quando me arremessam da mesma janela que eu costumava apreciar a vista.
Quando as mãos grandes e ásperas que já foram acalanto, agridem meu rosto.
Quando meu corpo tão meu é tomado, invadido por ele.

Todo dia, todo “santo” dia é uma, não, são duas, três, quatro, doze, do-ze Marias a menos no final do dia.

A Maria que antes sorria, agora só chora.

“Para de chorar mulherzinha”, mulherzinha?

Me toco, me molho, me sinto, me cheiro, me mordo, me aperto.
Quando foi que eu deixei de gozar, digo, de gostar de mim? Aqui não tem nada de “inha”.
Quero gritar, mas não por socorro.
Quero gritar: go-zei, foi gostoso!

Acredita Maria, levanta Maria, se reinventa Maria.

A angústia, o lamento, o silêncio, a dor, a morte.

A esperança.

A Maria que antes chorava, agora luta, luta em meio ao caos, ao luto.

E todas as Marias ainda vivem em mim.

A Marielle, a Tatiane, a Fabiana, a Francisca, a Fernanda, a Gisele, a Luana…

Todas, todas, repito: todas!

Vivas, bem vivas.
Fortes, muito fortes.
Livres. Tão livres.

E as Marias dançam.

E as Marias sonham.

Sonham com respeito e vida em abundância, tomando o lugar dessa brutal e imunda ignorância.

Por onde anda você?

Em meio as inúmeras conversas “banais” que já tive com meu pai, lembro de uma em especial que ele sabiamente falou que quanto mais o tempo passa, menos amigos ficam, aquilo não me soou como uma grande novidade, mas na ocasião lembro de ter concordado apenas parcialmente. Curiosamente a fala dele me visita quase todos os dias.

Concordei parcialmente não por acreditar que tenho mil amigos, mas justamente por questionar a permanência ou a continuidade daquelas c-i-n-c-o amizades que temos a c-e-r-t-e-z-a que podemos sim contar “sempre” e/ou “para sempre”. Será que isso acontece mesmo?

Eu não questiono com a intenção de menosprezar as amizades que eu acredito ter, mas por perceber uma fragilidade significativa nesses laços quando a vida de alguma forma nos atropela ou até mesmo quando nós mesmos nos atropelamos. Parece que a linha entre o “para sempre” e o “nunca mais” é tênue demais.

Não sei medir quão “boa” amiga sou e SE sou, mas arrisco dizer que tento. Pelos feedbacks inesperados que recebo de algumas pessoas, parece que as vezes eu acerto. Mas sabe o que me preocupa? O que me “preocupa” não é quem fica quando eu acerto, o que me preocupa é quem fica quando eu erro, quando ando na contramão, quando trago contrapontos, quando discordo, quando tropeço, quando acaba o cigarro ou quando não tenho grana pra cerveja.

Parece que a gente deixa a amizade a mercê de erros-acertos-erros-acertos, enquanto deveríamos deixá-la a mercê dos diálogos que estabelecemos diante essas coisas. Cada uma lida de um jeito, uns com barulhos, outros com silêncio, o problema é que com essas “diferenças” parece fácil demais a gente se perder e não deveria ser assim. As vezes é rápido demais. É pá pum e o brilho da amizade se foi. Meio louco, não? Não era de verdade? De outro mundo? Cadê?

Se a gente tem a intenção de ficar para sempre, a gente precisa de um olhar diferenciado para inúmeras situações, não? Quão difícil isso pode ser quando nos deparamos com uma situação de conflito real? Qual o melhor caminho? Não faço a menor ideia de todas essas respostas, na verdade, tenho várias outras perguntas.

Hoje o que sei é que o esforço para não perder aquilo ou aquela que você acredita e quer continuar acreditando, as vezes pesa. E poxa, é amizade, não deveria pesar, deveria ser aquilo que tira o peso.

Coragem mulher, coragem!

Não está fácil mulher e em nenhum momento alguém prometeu que seria, não é?

A gente gosta de entender todos os sentimentos que habitam nosso coração e pensamentos, isso nos mantém atenta aos detalhes, mas ao mesmo tempo refém das nossas dores, afinal pensar demais faz com que qualquer laço vire nó. E está na nossa cara, todo mundo sabe: não está sendo fácil sobreviver ao caos que o mundo virou!

As pessoas caminham cheias de si, professam discursos bonitos na tentativa de transmitir certezas, segurança e felicidade, mas no fundo estão completamente perdidas, perdidas afetivamente, politicamente, intelectualmente, profissionalmente, tecnologicamente. No português bem claro: tá foda!

Estamos imersos num universo líquido, carregado de informações vazias, sobra angústias, falta ar, sobra conflitos, falta paz. Discursos utópicos alimentam falsas esperanças. A leveza é cada vez mais superficial. A escuta cada vez mais mecânica. Os conselhos cada vez mais narcisistas.

O ombro pesa, a garganta inflama, a coluna trava, o câncer brota como uma flor, a depressão derruba, o choro sai, o coração desmancha, a solidão invade a casa, com ela: insônia, falta de sentido, preguiça do mundo. Repito: tá foda.

Olhar para o espelho dói, é complexo, porém, necessário. O estômago embrulha, a gente fecha os olhos e pensa: eu não aguento mais…mas de alguma forma aguenta, aguenta e corre, mas corre de quem? Do que? Ou corre para quem? Corre com quem? Para onde?

“Não posso parar, não posso parar, não vou parar…”, não pode parar porquê? Ah, porque se parar vai ter que encarar. Encarar a vida, a gente corre justamente para não fazer isso. E não percebe que quanto mais a gente corre, mais sozinha a gente se sente, mas não são os outros que estão correndo de você, é você que está correndo deles. Aperte o freio.

Coragem mulher, CORAGEM. Encarar as coisas exatamente como elas são talvez seja a única saída para organizar essa bagunça. A resposta está dentro, a resposta não está fora, mas a gente só encontra a resposta de dentro, dividindo com quem está fora.

“Mas e a solidão?”, ROMPE COM ELA, pede para ela sair com a mesma velocidade com que chegou, para com esse silêncio ensurdecedor, divide o fardo, pede socorro e grita por cuidado. Tem gente por aí que não se incomoda com o fato de você não estar no seu melhor momento. ENCONTRE essas pessoas, quem sabe você não se encontra ao encontrar com elas.

Um mantra: “parar de correr, romper com a solidão, dividir, acreditar”. “Mas como? Ninguém tem nada a ver com isso, é delicado falar, ninguém quer ouvir”. BULLSHIT. É você que está caindo na sua própria armadilha e precisa sair desse ciclo vicioso. Esperneie, chore, grite, só saiba com quem fazer isso. Mostrar para o outro não te torna menos forte, perca um pouco o controle, potencialize o autocuidado.

A gente precisa aprender a dizer o que sente pelas pessoas quando elas nos dão a chance de partilhar vida com elas. Comece por você mesma, olhe para o espelho e escute você falando tudo o que se sente. As vezes precisa doer para curar.

Não importa o quão dura a vida esteja sendo com você, você pode partilhar suas dificuldades, a sua essência é leve e do bem e é isso que as pessoas sempre vão lembrar.

O tempo que temos com as pessoas é precioso. Pode ser 5, 10 ou 15 minutos, a gente precisa aprender a ser presente no tempo, isso faz com que os detalhes preencham nossos dias de significados.

Precisamos aprender a lembrar de todas essas coisas não só quando estamos sensibilizados, mas quando estamos na correria dos dias, com pressa e sem paciência.

A vida é cíclica, sobreviver é um exercício diário, sorrir também. A solução talvez seja RESSIGNIFICAR todas as coisas.

E por fim, precisamos aceitar que não conseguimos mudar o passado, mas nos cabe a tentativa de transformar o presente. Não está nada fácil e talvez nunca fique, as vezes tudo que você precisa é andar despreocupada na chuva, sentir os pingos caírem no rosto e aproveitar, ainda que todos estejam fugindo do tempo ruim.

Pare, respire fundo e agora corre, mas corre para um abraço quentinho.

Acreditar!

22496250_1677329795671935_147890366180659621_oEu costumava acreditar em Papai Noel e continuei acreditando mesmo quando me falavam: “ele não existe”, “ele é de mentirinha”, “seu pai que compra o presente”, continuei acreditando, até mesmo quando reconheci a voz dele num familiar.

Hoje vejo que acreditar nele já dizia muito sobre a pessoa que eu me tornaria.

Eu ainda gosto de alimentar minha crença numa magia que traz mais cor para os meus dias, ainda gosto de acreditar que existe uma pureza que alimenta nossa alma e faz com que tudo dê certo, ainda gosto de pensar que é possível criar expectativas que não serão frustradas. Eu ainda acredito que dá para acreditar.

Com o tempo eu perdi a inocência de achar que tudo isso vai acontecer sem nenhuma dor. Não é que a vida seja menos colorida agora, mas ela exige mais força. Força para continuar acreditando em Papai Noel quando alguém te deixa no chão. Força para continuar acreditando nas coisas e nas pessoas mesmo quando elas te frustram. Força para continuar acreditando em você mesma quando rola uma auto decepção.

Eu boto a maior fé na minha caminhada e procuro dobrar a minha “crença em Papai Noel” quando a vida aperta e o coração chora. A gente acha que fica esperto com o tempo, mas na verdade a gente fica é chato. A gente acha que criança não entende nada, mas são elas é que entendem tudo. Sabe o que falta pra gente? Falta a gente resgatar aquela pureza de criança e correr atrás dos nossos sonhos, mesmo quando a realidade se aproxima mais de um breve pesadelo.

“Eu sei que a vida deveria ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita”.

O aprendizado dos dias estranhos!

Eu sempre gostei de entender todos os sentimentos que transitam no meu coração e no meu pensamento, isso faz de mim alguém atenta aos detalhes, mas ao mesmo tempo confusa, afinal pensar demais faz com que qualquer laço vire nó.

Nos últimos meses ao me deparar com o começo do fim da vida de uma das pessoas que mais amo, minha cabeça deu um nó. Conscientemente e inconscientemente eu me perdi. Meu comportamento mudou, fiquei mais arisca com as pessoas mais próximas, andei no limite, tomei uns porres homéricos na tentativa de fugir dos meus pensamentos, até brigar eu briguei, estava me sentindo estranha comigo mesma.

Eu tentei por um tempo me fazer de mal-entendida, mas as noites de insônia não me permitiram fugir de mim mesma por muito tempo. No dia do fim da vida dela eu não tinha mais para onde fugir, olhar para o espelho e encarar aquele turbilhão de sentimentos foi necessário, complexo e estranho.

Poucos dias se passaram, as lágrimas ainda são rotina, as noites de sono ainda não são tranquilas, o estômago ainda anda meio virado, mas encarar a vida como ela é e as coisas exatamente como são têm me ajudado a começar a organizar toda bagunça que habita aqui no meu coração.

É como se toda dor me proporcionasse a chance de organizar meus sentimentos. Eu me perdi ao pensar no rompimento da minha relação física com ela antes mesmo dele acontecer, na minha cabeça aquilo era um processo de “preparação”, quando o rompimento se fez verdade, eu vi que nada prepara a gente para esse tipo de situação, mas entendi que é preciso enfrentá-lo com sabedoria.

Nesse momento as coisas ainda andam meio tumultuadas, mas eu gostaria de partilhar algumas reflexões, por mais clichês que elas sejam.

A gente precisa aprender a dizer o que sente pelas pessoas quando elas nos dão a chance de partilhar vida com elas;

A gente, ou talvez nesse caso, eu, preciso aprender a não ter medo de me entregar num relacionamento por pensar que eu posso sofrer com o fim dele, afinal a entrega vale a pena mesmo que um dia acabe, amar será sempre válido;

Não importa o quão dura a vida esteja sendo com você, o que você transmite para as pessoas e para o mundo precisa ser leve e do bem, é isso que as pessoas sempre vão lembrar;

O nosso valor está vinculado somente aquilo que nós somos e pela maneira com que nos relacionamos com o outro, aquilo que temos ou deixamos de ter é um mero detalhe;

O tempo que temos com as pessoas é precioso. Pode ser 5, 10 ou 15 minutos, a gente precisa aprender a ser presente no tempo, isso faz com que os detalhes preencham nossos dias de significados;

Precisamos aprender a lembrar de todas essas coisas não só quando estamos sensibilizados, mas quando estamos na correria dos dias, com pressa e sem paciência;

As pessoas que estão verdadeiramente do seu lado são fundamentais, elas nos mantêm em pé e suavizam a dor dos dias;

A vida é cíclica;

E por fim, precisamos aceitar que não conseguimos mudar o passado, mas nos cabe a tentativa de consertar os erros cometidos com o intuito de transformar o nosso presente.

Tudo isso é um clichê danado, mas aprender a lembrar de tudo deve ser um exercício diário e os dias que eu esquecer disso lembrem de chamar minha atenção.

Pela primeira vez!

Desde 1990, ano em que vim ao mundo, ainda não tinha tido o desprazer de viver em um cenário tão crítico e tão perverso como o do nosso país nesse momento. Até então eu só tinha estudado o caos na sala de aula ou ouvido as histórias através do testemunho dos meus pais e pessoas mais experientes.

Pela primeira vez eu sinto com meu próprio nariz o cheiro de merda que toda bandidagem tem espalhado por aí. Pela primeira vez eu cruzo com olhares perdidos, sem esperança, seja na fila do pão, no ponto de ônibus, no banco na igreja. Pela primeira vez eu saboreio o gosto do desemprego. Pela primeira vez eu vejo pai e mãe de famílias engolirem seco o “não autorizada” na fila do mercado.  Pela primeira vez eu olho para o mundo e percebo que nem mesmo a minha miopia está me impedindo de ver tudo, tudo, tudo que está diante dos meus olhos.

A gente sempre cria boas expectativas para as “primeiras vezes”, espera com otimismo e frio na barriga, dessa vez tem sido confuso ver tudo isso pela primeira vez e não sentir nenhum prazer, mas ainda assim tenho procurado manter um sorriso sincero no rosto e um otimismo autêntico no coração. Para não deixar isso morrer, passo horas, às vezes até dias ou noites em claro pensando: qual será que é o grande mal do mundo e como minimizar ele pelo menos nos meus dias?

Dia desses fiz essa pergunta como quem não quer nada no face, a resposta da maioria não me surpreendeu: o grande mal do mundo é o ser humano. Apesar de não ficar surpresa, pensei: temos um problema muito menor do que imaginamos talvez. Se nós mesmos somos o mal do mundo é porque a solução também mora em nós, ela dorme e acorde com a gente, ela caminha com a gente todos os dias, ela vai com a gente no mercado, no bar, no banco, na balada, no trabalho. Ela conversa com a gente dia e noite, não dá trégua. Nós somos o tal do ser humano e como nós não podemos ou não devemos nos acabar, nos resta nos reciclar.

Não somos um pacote compacto de erros, a gente tem sim coisas boas, às vezes acho que a gente só não está sabendo usar aquilo de bom que tem. Talvez o mal do mundo não sejamos nós, propriamente ditos, mas sim a postura incoerente que nos permitimos assumir quando olhamos o erro do outro e nos sentimos no direito de errar também.

Não é assim que a porra toda vai para frente, não é assim que o problema vai se resolver, se a gente devolver na mesma moeda, a gente vai levar torta de merda na cara, então o que a gente precisa é ser coerente, justo, bom, honesto, do bem, empático, mesmo que o mundo tenha mostrado que esse caminho é muito mais árduo que o outro.

Como diz uma das composições musicais que gosto: pela minha lei a gente É obrigada a ser feliz. Que a gente seja humilde a ponto de perceber e sentir a felicidade em meio ao caos vivido.

Sei lá, queria compartilhar um pouco de otimismo, ele está em extinção.